A idéia do Ecoflex Ethanol Blog surgiu a partir de uma necessidade de estreitar as relações com os players de mercado e difundir não somente o ethanol, como também o trabalho realizado pela Ecoflex. ## World CO2 since 1750 (cubic feet)
De acordo com especialistas, mantendo-se a média de consumo de petróleo (foram cerca de 85,46 milhões de barris diários em 2008 e 83,67 em 2009), a demanda pela matéria-prima deve superar a oferta dos países produtores em cinco ou seis décadas (isto com a tecnologia de extração e os campos de exploração encontrados até o momento). Esta realidade, aliada ao fato das emissões de poluentes pela queima de combustíveis fósseis ser apontada por relatórios científicos como a maior causa do aquecimento global, faz com que a indústria automobilística, segmento econômico mais dependente do produto atualmente, com responsabilidade por mais de 50% do consumo, estude alternativas ao uso de gasolina, diesel e derivados num futuro próximo.
Os caminhos trilhados até agora apontam que não só uma, mas diversas matrizes energéticas estejam à disposição do consumidor nos próximos anos (eletricidade, hidrogênio, biocombustíveis, entre outras). Porém, resta saber quantos anos e quais as possibilidades viáveis, porque, apesar de promissoras, as pesquisas ainda esbarram em alguns obstáculos de difícil superação.
O petróleo é um recurso não renovável. Fala-se em jazidas que ainda estão por explorar (O pré-sal é o exemplo mais próximo) o que garantiria o fornecimento de petróleo por mais alguns anos, mas a tendência é para um aumento de preço do petróleo, que não só é usado na produção de combustível para veículos. O crescimento de países como China e India deu um novo impulso a demanda de petróleo. Este é o lado, digamos, da produção de energia. O outro lado da questão é a proteção ao meio ambiente. A queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão) é apontada por muitos como sendo fonte de uma série de problemas ambientais. Estas duas correntes têm levado a busca de alternativas para movimentar os carros. A tendência é pela substituição do petróleo como combustível e ela já é mais significativa nos mercados mais desenvolvidos (Europa, EUA e Japão) e acredito que seja irreversível, inclusive por conta de todo o investimento feito por montadoras nestes mercados.
A maioria dos biocombustíveis sofrem uma oposição por conta do uso de terras para produção de combustível que supostamente tomaria o lugar das plantações de alimentos ou forçaria a expansão de campos de cultivos sobre áreas de florestas. Uma possibilidade de uso dos bio-combustíveis seria o uso de micro-organismos para decompor rejeitos de celulose e outros materiais orgânicos, há empresas de bio-tecnologia nos EUA pesquisando estes micro-organismos. Entretanto, dado o consumo mundial de combustíveis seria difícil para um único produto substituir o petróleo. Em termos de bio-combustíveis acredita-se que é mais eficiente utilizar estes combustíveis em motores que operam no ciclo Diesel. Uma planta cogitada para a produção de bio-diesel é a Jatropha. Outra dificuldade dos biocombustíveis de origem vegetal é que a produção depende do cultivo de plantas e este é sujeito às variações de clima, às pragas, além da sazonalidade, isto é, os preços podem variar conforme o perído de safra ou entre-safras. Muitas empresas vem investindo na produção de biocombustíveis com microalgas, mas ainda levará muito tempo para que esse processo seja rentável energéticamente.
O hidrogênio tem sido considerado como outra alternativa. Uma dificuldade é a distribuição deste combustível que é um gás muito leve e precisa ser comprimido a pressões elevadas para que ocupe volumes não muito elevados. Este processo consome energia. Uma possibilidade seria o uso de hidrogênio nas células de combustível (fuel cell).
Os veículos elétricos sempre tiveram uma grande desvantagem em relação aos movidos por combustível líquido que é o peso das baterias e a pequena autonomia que elas proporcionam associado ao elevado tempo para a recarga completa que é medido em horas (muito maior que o tempo para encher o tanque com gasolina ou álcool). Pode não parecer muito relevante para quem está usando o carro só na cidade e imagina "deixar o veículo na tomada durante a noite ou no estacionamento do trabalho", mas imagine uma viagem longa ter que esperar horas até a bateria recarregar. Uma solução proposta por uma empresa de Israel (Project Better-Place - também associado ao grupo Renault-Nissan) é trocar as baterias ao invés de re-carregar. Isto demandaria que as baterias fossem padronizadas para todos os veículos, algo que está longe de acontecer. Outro problema sempre foi o peso. Um tanque de gasolina ou álcool, pesa aproximadamente metade do peso de um passageiro adulto enquanto o conjunto de baterias pesa o mesmo que 3 ou 4 adultos (para uma autonomia menor), além de ocupar muito espaço no veículo. Outro problema é o que fazer com as baterias que chegam no final de sua vida útil e o custo elevado de reposição do conjunto de baterias para carros que já teriam perdido muito de seu valor. As montadoras investem no desenvolvimento de baterias tentando resolver ou minimizar estes problemas.
Acho que outro ponto importante está ligado não só ao desenvolvimento de novas tecnologias mas também outros modelos de uso dos automóveis. Hoje já existem empresas que oferecem o carro como um serviço (por exemplo a Zip car nos EUA) onde o cliente não é dono do carro mas usuário de um serviço de oferta de mobilidade, tendo sempre um veículo a sua disposição independente da cidade onde esteja.
Pessoalmente, acredito no investimento, aperfeiçoamento e crescimento do transporte público. Temos a cultura do norte americano, onde dentro dos objetivos de vida estão a casa e o carro próprio. Com a população e o poder aquisitivo do brasileiro crescendo a tendência é o número de carros crescer. Porém, o sistema rodoviário, nossas estradas e ruas, não conseguem e nem poderão acompanhar o crescimento da frota automobilística. Cabe a nós cidadãos reenvindicar um transporte público eficiente, confiavél e seguro à nossos governantes. No dia-a-dia poderiamos usar o transporte público, e deixariamos o carro somente para ir a lugares inacessíveis a esse transporte.
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