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A luta do etanol brasileiro em busca de novos mercados.
Quinta-feira, 18 de abril de 2008.



Recentemente temos acompanhado a mídia internacional debatendo sobre a alta dos preços dos alimentos que deu origem a um descabido ataque contra a produção do etanol e de biocombustíveis em geral produzidos no Brasil.

Mediante descabido ataque, o governo brasileiro passou do ataque à defesa em sua posição mundial diante do tema dos biocombustíveis, sugerem as últimas declarações dadas por líderes, como o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante viagem à Holanda. O tema do etanol nem sequer estava entre os principais da visita, mas acabou dominando a atenção dos líderes. Ao responder a uma pergunta sobre a aceleração da inflação no mundo, em especial no Brasil, foi o próprio presidente quem introduziu o tema: "Não me venham dizer que (o culpado pela inflação) é o etanol", disse Lula.

O tom das declarações dadas por líderes, mostra que a emoção vem prevalecendo sobre a razão e que também há gente atacando generalizadamente o etanol, mal disfarçando que estão a defender seus próprios interesses, como o protecionismo agrícola europeu e o de países produtores de petróleo, na realidade o ataque vem da comunidade petroleira e não somente européia.

Tome-se, por exemplo, o que disse o suíço Jean Ziegler, que trabalha na ONU em questões ligadas aos alimentos. Ao atacar os subsídios que os EUA dão a seus produtores de etanol a partir do milho, disse tratar-se de 'um crime contra a humanidade', ao reduzirem a produção desse cereal.

O economista Paul Krugman, colunista do jornal The New York Times, em artigo reproduzido neste jornal dia 8 deste mês, depois de apontar vários fatores responsáveis pela alta dos preços dos alimentos e se referir aos políticos e governos que se colocam diante de ações contra o efeito estufa, saiu-se com esta: 'Mas onde os efeitos das más políticas são mais evidentes (ênfase nossa) é na ascensão do demônio (sic) etanol e de outros biocombustíveis.'

Krugman também citou o etanol do milho, mas com ligeireza concluiu que 'mesmo políticas de biocombustíveis que parecem 'boas' (aspas dele)', como a do etanol brasileiro, 'aceleram o ritmo das mudanças climáticas, promovendo o desflorestamento'.

Entre os países produtores de petróleo, merece destaque a Venezuela, cujo governo é tido como 'muy amigo' pelo nosso. Nada amistosos, entretanto, são os pronunciamentos de autoridades desse país, que fazem de seus barris de petróleo um palanque para criticar a produção de biocombustíveis.

A visão mais completa do aumento dos preços dos alimentos foi a de Marcelo Gingale, do Banco Mundial, que apontou cinco fatores atuando em escala mundial: o aumento da produção de biocombustíveis e a manutenção dos respectivos subsídios em países ricos, como os EUA; o incremento dos custos com a alta do petróleo e dos fertilizantes; o aumento do consumo em países como China, Índia e Brasil; o mau tempo e a quebra de safras em vários países; e a crise financeira com origem nos EUA, que levou investidores a apostar em contratos de bolsas de mercadorias, contribuindo também para o aumento dos preços dos alimentos.

Em suma, o Brasil precisa armar uma contra-ofensiva em defesa dos seus interesses, pois para o País, e para muitos outros em desenvolvimento, os biocombustíveis representam uma oportunidade única de gerar produção, riqueza, renda, empregos e formas renováveis de energia.

Este assunto em nosso ECOBLOG tem como missão esclarecer pontos e unificar idéias para que possamos caminhar em uma única direção, Sucesso do Etanol Brasileiro !!!

Postado as 19:03h
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Comentários:

Jorge Prado disse ...
Neste fim de semana, por mais uma vez, o Presidente Lula foi o "Embaixador do Etanol Brasileiro", ao discursar em Gana à favor da produção deste produto a partir da cana-de-açúcar. Reiterou que o "nosso" etanol não é o vilão da história, visto que ocupa apenas 1% das terras agricultáveis brasileiras, portanto sem ameaçar as áreas destinadas à produção de alimentos, ao contrário do etanol americano, à base de milho, e estimulado pelo Pres. Bush, o que provocou uma migração dos produtores americanos para esta cultura, e com isso o aumento da cotação do milho. Mais uma vez Bush subsidia o produtor, em detrimento ao crescimento das exportações diretas àquele País. A Europa e os EUA na verdade, parecem temer muito mais o crescimento de um País que domina a tecnologia de produção do etanol à base da cana-de-açúcar, à custos baixos, portanto forte concorrente e principal exportador deste produto, que já se mostrou ser, dentre outras fontes de energia verde, uma alternativa barata, viável, de curto prazo, aos constantes aumentos do Petróleo (e diga-se aqui, não há grandes debates a respeito desta commodity ter quebrado a barreira dos US 100,00), além de auxiliar na diminuição da emissão de gases do efeito estufa, e internamente auxiliar no controle inflacionário, por conseguir frear os preços dos combustíveis a nós, consumidores, seja na “oxigenação” da gasolina C, ou diretamente no tanque, através do hidratado. Reeditando uma célebre frase, porém mudando o produto: “ O ETANOL É NOSSO !”..
Postado em 19/04/2008 às 22:31h

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