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ETANOL NA RODADA DOAH ?
Sexta-feira, 25 de julho de 2008.
Na segunda feira de 21 de julho, ministros de cerca de 35 países estão reunidos em Genebra, na Suíça,
para dar continuidade às negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O encontro em Genebra deverá se estender por toda a semana e é considerado a última chance de se obter
um acordo de liberalização do comércio mundial, pelo menos neste ano.
As dificuldades para superar os temas centrais dessas negociações da Rodada Doha - subsídios agrícolas
e acesso a bens industriais - estão frustrando a intenção do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
de incluir na pauta uma discussão mais profunda sobre o etanol.
Para o Brasil, é fundamental que um acordo para liberalização dos intercâmbios globais, como o que negociam
os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, resulte em benefícios para o produto estrela do país.
Amorim quer que o etanol faça parte de uma lista de produtos ambientais que, por sua contribuição em conter
a mudança climática e preservar o meio ambiente, teriam acesso livre a todos os mercados, em vez de serem
submetidos aos cortes gerais de tarifas de importação.
Mas a ambição brasileira choca com os interesses dos Estados Unidos e da União Européia, dois países onde grandes
subvenções públicas e altas tarifas de importação asseguram sua liderança no mercado.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico da Itália, Adolfo Urso, o Brasil não pode nesse momento complicar
a negociação com a inclusão de mais um produto. "É uma questão de tempo. Não há como trazer um produto para a mesa
de negociações nessa fase", afirmou Urso.
Porém, o problema principal, é que com preocupação de cada país com sua própria economia, esquecem o maior propósito
de tudo isso: o combate à fome e o desenvolvimento dos países pobres.
Se as nações em desenvolvimento como Brasil e Índia querem que a UE (União Européia) e os EUA (Estados Unidos da América)
diminuam os subsídios (impostos) aos produtos agrícolas estrangeiros, os países desenvolvidos querem em troca,
a abertura aos produtos manufaturados europeus e americanos.
Postado as 16:39h
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Comentários:
Anônimo disse ...
Brasil estuda acionar EUA na OMC por tarifa ao álcool
Com o fracasso da Rodada Doha e a conseqüente paralisação das negociações sobre o etanol, que estavam sujeitas ao acordo global, o Brasil agora considera fazer uma consulta na OMC (Organização Mundial do Comércio) sobre as tarifas para a exportação do produto cobradas pelos Estados Unidos.
A consulta na OMC é o primeiro passo para uma queixa formal de solução de controvérsias.
"Se não há uma solução com a rodada, vamos continuar buscando resolver esses problemas por meio de soluções de controvérsias", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a um grupo de jornalistas.
Segundo a agência AP, o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo, disse que há uma "forte possibilidade" de o país fazer uma consulta formal sobre o caso na OMC em setembro.
Se em dois meses a consulta não resultar em um acordo, o país teria a possibilidade de pedir a criação de um painel para solução da controvérsia.
O álcool brasileiro paga atualmente uma taxa extra de US$ 0,54 por galão para entrar no mercado americano, além da tarifa regular de importação de 2,5% sobre valor do produto.
O setor privado no Brasil defende que a sobretaxa é uma forma mascarada de proteger contra a concorrência os produtores americanos, menos competitivos.
No início da semana, quando ficou evidente que Amorim não conseguiria solucionar a questão do etanol durante as discussões em Genebra, o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, que acompanhava as negociações, já começou a falar na possibilidade de acionar os Estados Unidos na OMC.
"Vamos ter que levar adiante uma disputa. Essa sobretaxa não é uma prática justa", afirmou então.
Jank defende que a redução das tarifas européia e americana para o etanol permitiria a esses países aumentarem suas importações, o que beneficiaria os países mais pobres produtores de matérias-primas.
Rodada Doha
Dentro das negociações da Rodada Doha, o Brasil defendia que o álcool deveria fazer parte de uma lista de produtos ambientais que, por sua contribuição em conter a mudança climática e preservar o meio ambiente, teriam acesso livre a todos os mercados, em vez de serem submetidos aos cortes gerais de tarifas de importação.
Estados Unidos e União Européia, dois lugares onde grandes recursos públicos e altas tarifas de importação asseguram sua liderança nesse mercado, se opunham à idéia, alegando que faltam estudos mais profundos que comprovem sua eficácia e impacto ambiental.
Segundo dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em 2007 os países desenvolvidos destinaram US$ 15 bilhões em ajuda a seus produtores de biocombustíveis.
Segundo os críticos, essas subvenções garantem a liderança das duas potências no mercado global.
Em 2007, 60% de todo o biodiesel comercializado no mundo foi produzido pelos europeus. No mesmo ano, os americanos foram responsáveis por 48% de toda a produção mundial de álcool.
O Brasil produziu 31% do total de álcool, cerca de 15 bilhões de litros. (BBC)
Postado em 30/07/2008 às 17:27h