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Crise mundial irá provocar demanda cada vez maior por etanol.
Terça-feira, 27 de março de 2009.



Para diretor do departamento de química do Instituto Weizmann, em Israel, Yehiam Prior, que pesquisa fontes alternativas de energia, a produção de biocombustível é insuficiente diante da crise global.

Da Redação, com agências

São Paulo - Apesar dos investimentos do governo no setor sucroalcooleiro e da transformação do Brasil em um dos líderes de produção de energia limpa, os esforços não são suficientes diante do tamanho da crise no setor.

A afirmativa é do diretor do departamento de química do Instituto Weizmann, em Israel, Yehiam Prior, que pesquisa fontes alternativas de energia. No próximo domingo (28), ele vem à São Paulo, participar de debate sobre a crise energética mundial.

Segundo ele, "a produção de etanol no Brasil deve ser melhorada por tecnologia e descobertas mais avançadas, que ainda não estão disponíveis ao meio científico. E, mesmo que a tecnologia seja exportada e melhorada, seria uma contribuição, mas não seria suficiente para resolver o problema energético do mundo", avalia Prior.

Para Prior, o álcool é uma solução a curto prazo, que não contenta o aumento vertiginoso da demanda energética em países como Índia e China. "Teríamos que plantar o planeta inteiro para fabricação de biocombustível para saciar a demanda crescente."

Não apenas o álcool brasileiro, como toda forma de biocombustível, energia eólica, hidrelétrica e mesmo nuclear - defendida por alguns países como a grande solução energética do século 21 - são medidas de curto prazo, diante da extensão da crise energética.

O caminho para as próximas décadas, sugere Prior, está justamente em não apostar em uma única saída e amenizar os contrapontos de cada fonte de energia renovável. Já a longo prazo, o químico israelense é enfático na solução: energia solar.

"Se você fizer um balanço global, a quantidade de energia solar que recebemos é imensa e mal aproveitada. A tecnologia disponível ainda é insuficiente para uso em grande escala. Sem investimento em pesquisa, não vejo solução viável", afirma o professor.

O professor é cético quanto a um possível aumento da verba destinada à área em um contexto global de intensa dependência do petróleo, mas aposta em mudanças com o "despertar de uma nova consciência".

"Não há esforço governamental na área, porque os políticos tem dificuldade de pensar 20 ou 30 anos a frente por resultados. O que vemos é que os governos e agências de financiamento estão investindo em pesquisas a curto prazo e o mercado privado deve seguir a tendência, em tempos de restrição financeira", explica Prior.

Os anos de dependência extrema do petróleo impediram ainda, argumenta o professor, o desenvolvimento de uma classe de cientistas especializados na área de alternativas energéticas --dificuldade que levou o Instituto Weizmann a "emprestar" cientistas de outras áreas similares em troca de financiamento de longo prazo.

Fonte: Portugal Digital - Brasil/Portugal

Postado as 13:12h
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